Exemplos de Vida reflete a beleza e a singeleza da alma feminina racionalista cristã, nos ensinamentos das nobres mulheres Maria Thomazia, Maria Cottas e Maria de Oliveira. Encontrei nestes espíritos exemplos que dizem muito a todas as mulheres ávidas por esclarecimento. Como mãe e eterna estudante desta doutrina, ao ler e transcrever cada letra de suas páginas, senti que cresci um pouco mais, e deixá-las em meu arquivo pessoal seria demais injusta para com todas, assim, publico seus exemplos e um pouco de suas biografias para quem desejar sentir a vibração e a ternura do amor existente em cada palavra.
Maria de Fátima Almeida

Apresentação

Que não se negue o valor que a mulher tem, nem que esta não saiba assumir, em mundo material, aquilo que escolheu em mundo espiritual.
A mulher deve procurar dar exemplos de vida e para tal não lhe faltam atributos para vencer a grande luta que tem que enfrentar como mulher, mãe, esposa, companheira ou amiga.
Assim em "Exemplos de Vida" de nossa Maria de Fátima Almeida destacamos os exemplos deixados por nossas grandes mulheres Maria Thomazia, Maria Cottas e Maria de Oliveira, que simbolizam o verdadeiro papel da mulher racionalista cristã numa entrega em perfeita doação pela vida e sabedoria.
— Ana Paula Oliveira

Prefácio

Maria de Fátima Almeida, nossa companheira na Filial Seixal do Racionalismo Cristão.
Inicialmente, apenas trocávamos os cumprimentos habituais, mas, como dizemos no Racionalismo Cristão, "os afins se atraem e os contrários se repelem”. Podemos dizer que esta máxima exemplifica perfeitamente o que conosco aconteceu.
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Por motivo de saúde, tive que ficar retida em casa e foi através da Internet que, por todo este tempo, mantivemos uma relação de amizade que foi crescendo a cada dia mais e hoje já não somos somente companheiras e amigas. Essa amizade se tornou tão forte, que não podendo ver-nos todos os dias, mantemos um diálogo de irmãs e como tal nos tratamos, iniciado por ela e sua mãe a nossa Mana Maria, também Militante na nossa Filial Seixal.
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Como Racionalistas Cristãos estudiosos de Nossa Querida Doutrina, o fato de sentirmos, de parte a parte, grandes afinidades, sabemos ser normal, mas, para além disso, algo mais sentimos, que também achamos normal. Estamos conscientes de termos, juntos, planeadas nossas encarnações, para cumprirmos missões relacionadas com nossa Doutrina.
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Com o trato diário, a forma como a Mana Fátima quis, sofregamente, beber os princípios doutrinários, procurando cumprir à risca a sua disciplina, nos foi sempre aproximando, gradualmente, pois ela procurava enviar ao Antão e-mails de “trabalho de casa”, onde estudava a Doutrina, criando ou citando frases existentes nos livros da Doutrina, respondendo da forma que achava certa e enviava ao Antão para corrigir, ficando à espera, com ansiedade, para saber, até que ponto, já estava ciente do que estava estudando.
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Sua pressa em pôr em prática os ensinamentos que ia colhendo nos livros, ou recebendo do Antão, era enorme e com a continuação, nos demos conta de que tudo indicava nos conhecermos de outras encarnações. Não foi surpresa para nenhum de nós, sabendo que isso pode perfeitamente acontecer.
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Quantos de nós trouxemos de nosso Mundo de Luz, aquele que nos é próprio, planos de trabalho a desenvolver nas missões que decidimos, em conjunto, vir desenvolver neste Planeta depurador?
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Nossa Fátima Almeida recebe de seus pais uma primorosa e esmerada educação. Mais tarde vem a trabalhar num liceu Estadual, onde convive com crianças de todas as classes sociais, ouvindo-as e aconselhando-as com carinho, mesmo contra certas pessoas que com ela trabalham. Tal fato dá-lhe muito prazer, mas também lhe causa aborrecimentos que ela procura sanar, mediante os ensinamentos que absorveu da Doutrina Racionalista Cristã.
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Tem família constituída, partilhando o lar com seu esposo Orlando Almeida e mãe Maria Pereira, hoje viúva, pois seu pai desencarnou há algum tempo. Sua filha Mônica já casada e à espera de sua primeir
a filha, Mônica vive um pouco longe, mas sempre se juntam, pelo menos nos fins de semana. Ao genro Paulo ama-o como um filho, assim como a menina Inês, a alegria de todos na casa.
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Podemos considerá-la um exemplo de mulher Racionalista Cristã. A filha exemplar, a esposa devotada, a mãe extremosa, a avó dedicada e preocupada com a prole, vivendo as duas vidas em paralelo “material e espiritual”.
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Para qualquer um de nós, é a amiga, a companheira sempre pronta a colaborar, não fugindo nunca às suas responsabilidades.
Sua humildade é notória e sempre acha saber pouco, procurando aprender cada vez mais.
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A ti Fátima Almeida, nossa querida Mana, te desejamos longa vida, para poderes desfrutar de tudo que aprendeste e teres aqui a felicidade possível, pois a verdadeira só quando chegares em teu Mundo próprio.
— Aida Almeida Lopes da Luz

Maria de Fátima Almeida, nossa companheira na Filial Seixal do Racionalismo Cristão

Antes de mais esclareço ao leitor que Fatiti é um diminutivo em português, “nominho” em crioulo de Cabo Verde e apelido em brasileiro. Mas cuidado… o seu uso é muito restrito!
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Confesso que houve uma empatia muito grande entre nossas duas famílias, tão grande que logo, logo, se fundiram.
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Encontramo-nos na Filial Lisboa nos finais de século passado. Nessa altura ainda trabalhava em Cabo Verde mas vinha duas, três vezes ao ano a Lisboa e quando isso acontecia arranjava tempo para ir assistir às sessões públicas. Certa vez levei meu filho já homem. Deve ter sido colocado na ala masculina do estrado e lembro que D. Maria Pereira, a mãe da Fátima, estava sentada na meia-corrente.
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Após a sessão, na rua, o meu filho virou-se para mim e disse-me: Papá não sei se reparaste mas estava lá uma senhora igualzinha à tia Celeste. Exultei de alegria, porque todas as vezes que ia ao Centro não tirava os olhos daquela militante tão parecida com uma muito querida irmã, hoje desencarnada e a formadora da segunda corrente fluídica na nossa Filial Seixal.
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Fiquei contente porque não obstante a constatação da parecença física, não achei relevante estar a contar o sucedido e guardava tudo apenas para mim.
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Com a transferência do nosso domicílio para Portugal alistei-me como militante da Casa Racionalista de Lisboa, onde pude travar um conhecimento mais de perto com a nossa Fátima Almeida.
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Fundamos a casa de Seixal, nem sequer dissemos nada às amigas Maria Pereira e Filha, para que se evitassem mal-entendidos.
Mas pouco tempo depois, para muita satisfação nossa, apareceram mãe e filha, fizeram-se militantes e a amizade nasceu, floresceu e nem a eternidade poderá esbate-la.
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Na casa racionalista cristã as conversas só podem ser breves. A Fátima parecia ter estado reprimida e precisava de se expandir, trocar ideias, fazer-se notar, afirmar sua personalidade, sentir que também era capaz…
Com o conhecimento dos nossos endereços eletrônicos começamos a enviar mensagens. A Fatiti começou a “deixar cair a casca”.
Devo ter-lhe dito que não gostava muito de escrever para além do essencial.
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Por sentir grande tristeza que lhe ia na alma por quase eu ter declinado seu convite para troca mais profunda de ideias decidi “acolhê-la”.
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Ela deve ter ganho alguma coisa com os “desabafos doutrinários”. Eu ganhei muito porque tive a oportunidade de me expor, vasculhando o meu íntimo, o meu passado espiritual, interessante desde criança e escrevi o que nunca tinha contado a mais ninguém.
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Por tudo isso hoje digo: Obrigado, minhas Manas Fátima Almeida e Maria Pereira por darem sentido à nossa vida. Conhecer-vos foi mais um raio desse sol que devia aquecer o mundo, mas não está aquecendo e que é a AMIZADE.
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Do registo das nossas conversas a três - Aidinha, Fátima e Antão - a que chamei “DESABAFO” já fiz um volume com perto de trezentas páginas.
Continue Querida Amiga Fátima… continuemos nossos estudos porque a matéria é vastíssima, profunda e eclética.
— Antão José Lopes da Luz
....Presidente da Casa Racionalista Cristã Filial Seixal,
... Portugal

Agradecimentos

Gostaria de agradecer ao meu saudoso Pai Nataniel Augusto da Silva, e minha querida Mãe Maria Pereira, a oportunidade de fazer minha trajetória evolutiva nessa família que em meu mundo de luz escolhi para minha depuração e crescimento espiritual.
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Tenho muito a agradecer a nossa netinha Inês que com sua alegria fortalece nosso lar, ao meu marido e amigo Orlando Almeida, a minha filha Mônica Almeida Lança e ao meu genro Paulo Lança, assim a todos que pela ternura e confiança que trocam elevam nossa família, assim me ajudam a vencer o que me propus em meu mundo de luz, ser uma verdadeira mulher racionalista cristã.
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Agradeço ao nosso Presidente Físico da Filial Seixal Senhor Antão José Lopes da Luz, pela oportunidade que me dá em meu crescimento, fortalecimento e valorização como ser humano e humanista, dando-me sempre sua palavra de incentivo e a ter confiança em mim própria, a acreditar que seria capaz de ser uma boa estudante de tamanha Doutrina.
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Sua muito querida esposa, de todos nós a nossa Aidinha da Luz, que através de suas mensagens fortalecedoras e encorajadoras, nascendo assim um carinho muito especial por tamanha escritora racionalista cristã.
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Meus agradecimentos à querida e doce companheira da Filial Seixal D. Cândida e senhor Adérito que com sua ternura, e abraços, me incentivavam a continuar na luta do bem contra o mal. A todos os companheiros que me receberam também com muito carinho a minha gratidão.
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Agradeço ao nosso amigo em comum, Senhor Wilson Candeias Moita pela sublime oportunidade e incentivo, e, a sua querida esposa Senhora Iolanda Moita pelo apoio e carinho recebidos.
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Ao nosso querido e inesquecível amigo Pedro Pesce, que interagi em vida física na Raciona-Lista, mas o suficiente para nascer em mim tamanha gratidão por esta brilhante estrela lá no alto vibrando pelos Esteios do Bem a quem também muito agradeço e me proporcionaram o meu crescimento.
— Maria de Fátima Almeida

Maria Thomazia

"O Racionalismo Cristão é a Doutrina da Verdade. Nós trabalhamos para que a humanidade se esclareça e compreenda que a vida material tem que seguir paralela à vida espiritual. Mas, para que isso aconteça, é necessário que as criaturas estudem o Racionalismo Cristão no fundo e na forma, compreendendo e conhecendo a profunda espiritualidade dos seus conceitos. Por isso, desejamos que os estudantes da Doutrina procurem sempre passar de ano, como dizem no planeta Terra, evoluindo a cada ano que passa, sentindo que são melhores espiritualmente, moralmente, e, por que não dizer, materialmente também. Mas para isso devem estudar, raciocinar e seguir os princípios da Doutrina sem dúvidas e sem titubear, pois, se assim fizerem, sentirão mais tarde que valeu a pena e serão recompensados, antes mesmo da desencarnação física, ao observarem a compreensão existente entre seus familiares, que tendo mais amizade uns pelos outros, serão criaturas mais tranqüilas e mais felizes”. ▬ Livro Para Quando os Reveses Chegarem, Maria Thomazia
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Maria Thomazia de Abreu Machado Antas, nasceu em Portugal, a 12 de Outubro de 1861, foi um exemplo histórico de mulher, desempenhando o seu perfeito papel, em sociedade de mulher, esposa, mãe e educadora, ao lado de Luiz de Mattos, seu marido, complementando sua fiel representação na doutrina Racionalista Cristã.

Foi uma admirável professora, exercendo o seu trabalho com exuberante perfeição, reconhecendo que a educação dignifica o valor humano e
as crianças são os futuros homens e mulheres do amanhã. Pretendia transmitir, principalmente às mulheres que o amor e o respeito à família dignificam o seu papel em sociedade.
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Em sua vida física, foi um espírito imponente e lutador, brilhante e honrado, envolvida sempre por valores que apenas enobreciam e valorizavam o ser humano.
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Escritora de elevadas e conscientes doutrinações refletia como exemplo a sua própria vida, como mulher, esposa e mãe, sendo uma motivadora e encorajadora nata.
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Sua cultura era admirável, falando e escrevendo corretamente o português e por isso foi agraciada pelo Real Gabinete Português de Leitura, com um valioso prêmio, que na época mereceu destaque, em virtude do pouco valor e reconhecimento que era dado às mulheres, nessa altura.
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Hoje, existe uma sala em sua honra e louvor, Sala Maria Thomazia, onde se dá o apoio às crianças, para que mães militantes e assistentes possam participar nas sessões despreocupadas e confiantes na sua segurança.
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Maria Thomasia, como medium, tinha a plena consciência do elevado papel social da alma feminina, sabia reconhecer a sua natureza, e o poder "mágico" da criação, de ser portadora de vida e por isso agraciada para sustentar, suportar a dor e engrandecer as criaturas. Sendo um Espírito Superior, lutador em vida física, pela sua plenitude, certamente que sua felicidade na eternidade é sentir o progresso e a evolução da espiritualidade, na terra, irradiando pelas criaturas e principalmente às mulheres que têm o dom elevado de conduzir o ser humano ao equilíbrio e à paz.
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Maria Thomazia
by Aida Luz, Ana Paula Oliveira e Wilson Candeias Moita

Maria Thomazia — Jornal A Razão — Novembro de 1980

A 23 de Novembro de 1925, portanto há 55 anos, desprendia-se do corpo físico para ascender ao seu Mundo de Luz Astral, o espírito de Maria Thomazia de Abreu Machado Antas, na intimidade conhecida por Maria Thomazia.
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Nasceu a 12 de Outubro de 1861 em Bragança, Portugal, onde estudou e foi educada em Colégio de Religiosas, formando-se Professora.
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Se há alguém, no Racionalismo Cristão, que mereça ser homenageado e perpetuada a sua memória, em Pedestal, onde conste seu nome gravado em letras de ouro, é essa mulher incomparável e mãe exemplar, de inconfundível moral cristã – Maria Thomazia!...
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Apesar de ter sido educada em colégio religioso e professar para freira, não lhe foi difícil, devido à reconhecida grandeza de seu espírito, livrar-se dos ensinamentos religiosos e enveredar para o Racionalismo Cristão, estudando-o, aceitando-o, e a ele se entregando, de corpo e alma.
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Companheira inseparável de Luiz de Mattos, foi na Doutrina um dos primeiros médiuns desenvolvidos no Racionalismo Cristão.
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Se nos reportarmos às datas de nascimento de ambos (Luiz de Mattos, em 3 de Janeiro de 1860, e Maria Thomazia, em 12 de Outubro de 1861) temos a impressão de que esses espíritos, em seus Mundos Superiores, deliberaram encarnar com a mesma missão: iniciar e criar a Doutrina da Verdade – o Racionalismo Cristão.
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Luiz de Mattos, para dar prosseguimento à sua Doutrina, necessitava de um elemento indispensável, o médium. E esse elemento ou instrumento foi Maria Thomazia!
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Tanto no Centro Filial de Santos, como no Centro Redentor, no Rio de Janeiro, foi ela um instrumento extremamente disciplinado, prestando relevantes serviços à Doutrina, e colaboradora incansável de Luiz de Mattos.
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A seu lado esteve sempre, nos momentos alegres e difíceis, animando-o, encorajando-o e dando-lhe alento espiritual. Poupava-o e evitava tudo que lhe pudesse dar desgosto e sofrimento. Aos companheiros na Doutrina, pedia que fossem todos muito amigos do Chefe da Doutrina – Luiz de Mattos.
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Como instrumento das Forças Superiores, foi infatigável e possuía extraordinária sensibilidade mediúnica. Sua lealdade, honradez, desprendimento, obediência e dedicação à Doutrina, devem servir de modelo aos demais médiuns.
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Sua boca jamais se abria para falar mal de alguém. Ao contrário, a todos aconselhava e a todos defendia.
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Arranjava tempo e horas para tudo. Nas horas vagas dedicava-se à pintura e à confecção de flores que, depois de feitas, se confundiam com as naturais.
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Foi uma professora adorável. Conhecia português com profundidade e sabedoria, tendo-lhe sido conferido valioso prêmio pelo Real Gabinete Português de Leitura.
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A homenagem prestada a Maria Thomazia, quando da inauguração do Solar Luiz de Mattos, em 27 de Setembro, dando seu nome a uma sala, no último pavimento, Sala Maria Thomazia, com o seu retrato pintado a óleo e uma placa com seu nome, foi muito oportuna e merecida, pois foi nesse pavimento do antigo prédio do Centro Redentor que ela residiu e passou a última etapa da sua existência terrena, juntamente com Luiz de Mattos e demais familiares.
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Tenho gratas recordações dessa inconfundível e extraordinária figura, que foi Maria Thomazia! Entre outras, vou relatar uma: Antes, porém, devo dizer que sempre me tratou com muito carinho e deu-me belos conselhos. Pois bem, preparava-me eu para o exame de admissão ao Colégio Pedro II. Quando ela soube, prontificou-se a dar-me aulas de Português. Mandava-me fazer cópias, redações e estudar Gramática (o que hoje, lastimavelmente, não se faz mais, e por isso a mocidade atual não sabe falar nem escrever).
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Certa ocasião, mandou-me conjugar determinado verbo. Eu fiz uma tremenda confusão! Ela, apesar da sua bondade e ser minha amiga, não me poupou: Deu-me um leve... Puxão de orelhas e mandou-me copiar o verbo 20 vezes! Professora admirável!
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Aprovado que fui no exame de admissão, dias depois apresentei-me à saudosa professora, com o uniforme do Colégio Pedro II. Ela me abraçou, beijou-me e disse:
Agora, procura honrar esse uniforme e o nome desse homem que na Terra se chamou Pedro II!
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Ao teu espírito, pois, Maria Thomazia, embora tarde, humildemente presto a minha sincera homenagem, escrevendo estas linhas e grato estou por aquele único puxão de orelhas!
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Maria Thomazia
por Dr. João Baptista Cottas — Jornal A Razão — Novembro de 1980
Colaboração: Sr. Antão José Lopes da Luz — Presidente da Casa Racionalista Cristã Filial Seixal, Lisboa — Portugal

Maria Thomazia - Jornal A Razão - Outubro de 1994

Quando o noticiário internacional mostra o preconceito e as brutalidades contra a mulher, infelizmente, ainda comuns em certos países, mais firmes e consolidados no raciocínio deve estar a convicção de que o atual estágio evolutivo, predominantemente no mundo ocidental, se deve à natural evolução da história Universal e às grandes lutas e sacrifícios daqueles espíritos, que encarnando na condição feminina muito têm contribuindo para a evolução das ciências, das artes e da elevação moral da humanidade.

Maria Thomazia é um desses espíritos. Esposa de Luiz de Mattos, de quem foi o grande apoio e estímulo, sempre demonstrou profundo interesse pela cultura, desenvolvendo uma mentalidade muito acima de seu tempo. A vida de conhecimentos, foi uma aluna dedicada, cujo interesse pelo saber desde cedo chamou a atenção de seus mestres. Ao tornar-se mãe da inesquecível Maria Cottas, a ela procurou transmitir seus conhecimentos e experiência de vida, muito tendo contribuído para que em sua alma aflorasse todo o seu potencial, o que muito veio a facilitar o seu desempenho nas atividades em que se destacou, ao lado de seu marido Antônio Cottas.

Embora em nossos dias não faltem exemplos de atuação feminina nos mais variados setores da atividade humana, deve-se entender que o atual momento histórico não existiria, se nas mais variadas fases da evolução humana, o sacrifício de muitos, não tivesse demonstrando a importância da dignidade humana.

Assim sendo, numa justa homenagem a esse espírito que em sua última encarnação recebeu o nome de Maria Thomazia, sua data natalícia, 12 de Outubro, que no Brasil se convencionou chamar de Dia da Criança, assinala também mais um aniversário da Sala da Criança na Casa Chefe do Racionalismo Cristão leva seu nome e que este ano completa quatro anos de atividades voltadas às novas gerações, portanto, aqueles que serão os racionalistas cristãos do futuro.

Fonte: Jornal A Razão - Outubro de 1994