Exemplos de Vida reflete a beleza e a singeleza da alma feminina racionalista cristã, nos ensinamentos das nobres mulheres Maria Thomazia, Maria Cottas e Maria de Oliveira. Encontrei nestes espíritos exemplos que dizem muito a todas as mulheres ávidas por esclarecimento. Como mãe e eterna estudante desta doutrina, ao ler e transcrever cada letra de suas páginas, senti que cresci um pouco mais, e deixá-las em meu arquivo pessoal seria demais injusta para com todas, assim, publico seus exemplos e um pouco de suas biografias para quem desejar sentir a vibração e a ternura do amor existente em cada palavra. Maria de Fátima Almeida

FEMINISMO

Uma das questões do nosso século, acusada exuberantemente na literatura contemporânea, é a emancipação da mulher.
 
Emancipação da mulher? Mas, emancipar a mulher de quê ou de quem? Emancipá-la do trabalho? A mulher do nosso século, a que pretende emancipar-se, precisa trabalhar mais do nunca, porque ela prescinde do auxílio do homem.
 
Emancipá-la da família? A mulher não pode pretender emancipar-se, antes deve reivindicar para si, a sua integração no seio familiar.
 
Não cuidará de emancipar-se da inteligência do homem, antes pretender aproximar-se dela e possuir o seu gênio.
 
Abdicar dos sentimentos maternais, nunca! Permitir que lhe arranquem do seu seio os filhos, frutos das suas entranhas, jamais!
 
De que deve então emancipar a mulher?
 
Da IGNORÂNCIA.
 
A mulher não pode ser um miserável objeto de luxo que se compra, que se admira e se ostenta. Esse tipo de mulher que, por ser ignorante, deseja ser escrava, que pede perdão sem se humilhar, que por ser fútil percorre as ruas e vitrinas, com espírito deprimido a provocar admirações irrespeitosas de desconhecidos, como uma boneca em exposição; a mulher que discute, como um alto-problema decisivo, o rendilhado de um simples objeto de toilette e que não sabe dar um oportuno conselho ao homem que desejaria ter nela uma companheira, meiga, boa, inteligente, sensata, honesta e trabalhadora, essas mulher que não ama e que não pensa, que não sofre e que não trabalha, é uma sobrevivente da antiga mulher escrava, é uma vergonha do nosso tempo.
 
Emancipemo-nos. Quero dizer: EDUQUEMO-NOS.

Tornemo-nos mulheres tão boas que suavizemos as torturas da vida; tão inteligentes, que compreendamos a grandeza da sociedade familiar que com o homem contraímos; tornemo-nos livres para, livre e conscientemente, escolhermos o companheiro da nossa vida. Aí, então, o feminismo não importa o antagonismo dos sexos. Feministas passarão a ser todos os homens. Se a mulher é ignorante, porque não há de o homem desejar a sua educação, aprimorando-lhe o caráter?
 
O feminismo estudado é que deveria ser convenientemente social, e que só depois de maduramente estudado é que deveria ser convenientemente resolvido.
 
Para que a mulher possa compreender bem o que significa esse feminismo é preciso que seja educada. Nisso deve estar o interesse do homem.

Ele a amará muito mais, e só terá a lucrar com o seu desenvolvimento social, intelectual e moral. Ela, se tantas vezes se tem tornado abjeta é pela ignorância, pela miséria, por essa ignorância que lhe nega a visão da dignidade humana, por essa miséria que a obriga a mercadejar com a sua honra.
 
Inteligente e educada, a mulher orgulhar-se-á de ser honesta e quando entrar na vida social do homem o fará pela liberdade de sua escolha, cônscia das suas responsabilidades e zelará pela honra da família, fazendo-se respeitar a si mesma e assumindo integralmente a responsabilidade dos seus atos.
 
Creio que assim e só assim poderei honrar a memória de meu velho pai, colaborando na sua grande obra: A DOUTRINA DA VERDADE.
 
Fonte: Livro Discursos de Maria Cottas